O Vice-Presidente do Governo Regional da Madeira visitou o Centro Náutico de S. Lázaro, onde se inteirou das obras que têm estado a ser realizadas pela APRAM naquele espaço que é utilizado por mais de mil atletas dos 13 clubes e associações náuticas ali residentes, bem como pelo desporto escolar e clubes da região, sobretudo durante as competições regionais.

Pedro Calado contactou também com alguns dos clubes de S. Lázaro que têm agora novos passadiços de acesso ao mar, tendo a ponte de ligação sido completamente reparada. A empreitada previu também a construção de uma escada quebra-costas para auxiliar nas operações de varagem de embarcações.

Refira-se, ainda, que no âmbito destes melhoramentos foi ainda reforçado o fornecimento de água para limpeza das embarcações.

De modo a facilitar a prática generalizada do desporto náutico, vai ser construída uma plataforma destinada às pessoas com mobilidade reduzida.

O investimento desta primeira fase, ascendeu a quase 70 mil euros que para o Vice-Presidente “não é um valor muito grande em termos monetários, mas de grande importância em termos de melhoramento das condições para a prática náutica.”

Os portos da Madeira continuam a despertar o interesse das companhias de cruzeiro que de março até ao fim do ano fizeram 136 reservas de cais com particular incidência nos meses de outubro, novembro e dezembro.

Novembro é o mês mais procurado com 46 reservas, seguem-se outubro e dezembro, cada um com 29 reservas, abril com 12, março com 6, maio com 5, setembro com 4, julho e agosto com 2 cada e junho com 1.

A confirmarem-se os números que naturalmente, dependerão da evolução da pandemia, a retoma do setor deverá acontecer no último trimestre deste ano.

O mais recente estudo da CLIA, Associação Internacional de Companhias de Cruzeiro, a maior organização do setor, fala com otimismo e considera dois em cada três passageiros que já fizeram cruzeiros querem repetir a experiência já este ano.

A CLIA prevê a estreia de 19 novos navios em 2021, totalizando uma frota de 270 navios oceânicos no final de 2021. São navios que contarão com protocolos exigentes de saúde e segurança, projetados para ajudar a proteger os passageiros, a tripulação e os próprios destinos.

 

Há meia dúzia de anos, o português Francisco Miguel dos Santos Oliveira, de 30 anos, fez uma escolha que lhe mudou a vida: deixou em standby, o curso de engenharia e arquitetura naval e rumou à Holanda para matricular-se numa conhecida escola náutica. Hoje, é o segundo comandante do tall-ship “Wilde Swan” que recentemente, fez escala no Porto do Funchal.

Antes, esteve a trabalhar durante um ano como engenheiro naval, mas entre o escritório e a vela, optou por este desporto que pratica desde os oito anos de idade. Participou em várias competições, mas teve sempre um gosto especial pelos tal-ships que começou a velejar, assim que acabou o mestrado, para além de estar agora, envolvido num projeto de construção de um navio de carga à vela, juntando assim, as suas diferentes competências.

Depois de várias experiências a bordo de grandes veleiros, a última que está a decorrer, é a bordo do “Wilde Swan”. Neste momento, está nas Caraíbas para onde levou 21 jovens, com idades entre os 14 e os 17 anos que durante seis semanas fizeram uma viagem inesquecível que terminou a 26 de dezembro, quando de avião, regressaram a casa. Três professores acompanharam o grupo que teve aulas a bordo, mas além disso, aprendeu e participou nas tarefas diárias habituais numa embarcação deste género. Até junho, suceder-se-ão novos grupos para fazerem a mesma experiência de mês e meio a bordo do “Wild Swan”.

“Estes miúdos levam uma experiência que lhes fica para a vida. Aqui aprendem a trabalhar em equipa, a relacionar-se uns com os outros. A própria preparação para integrar uma experiência destas é importante, pois muitos destes miúdos criam formas de pagar esta viagem, seja pela obtenção de patrocínios ou trabalhos que fazem para ganhar dinheiro”, refere Francisco Oliveira.

No dia que deixou a Madeira, pouco tempo depois, o veleiro voltou ao porto. Em causa, a queda de um dos jovens tripulantes que terá fraturado um braço. Foi medicamente assistido e voltou para bordo, à espera de que os pais chegassem da Holanda. Só depois do desembarque deste jovem, é que o “Wild Swan” retomou a travessia do Atlântico, rumo às Caraíbas.

Na partida, o 2.º comandante, ia agradavelmente surpreendido com a forma como foram recebidos na Madeira. “Foi um espetáculo!” – Disse, referindo que o Funchal podia integrar o grupo das cidades amigas dos tal-shipps.

 

 

Joaquim Guilherme Gomes (1839-1871), conhecido com o pseudónimo literário de Júlio Dinis, viveu na Madeira de março a maio de 1869, procurando melhoras para a tuberculose. Regressou em outubro desse mesmo ano e aqui ficou até maio do ano seguinte e voltou a visitar a ilha em outubro de 1870, ficando até maio de1871.

Uma das casas onde viveu, situa-se na Rua da Carreira, n.º 90, onde desde 1995 está colocada uma placa a assinalar a passagem do escritor, bem como uma estátua, da autoria do escultor madeirense Ricardo Velosa.

Nascido no Porto, onde se formou em medicina, a doença fê-lo interromper a sua carreira e dedicou-se à literatura. Escreveu “Uma Família Inglesa”, “Serões na Província”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “A Morgadinha dos Canaviais”, entre outros. Na Madeira, escreveu “Os Fidalgos da Casa Mourisca”.

No livro “Inéditos e Esparsos”, publicado em 1919, descreve a chegada ao Funchal. É esse texto que aqui deixamos, já publicado pelo Centro de Estudos de História do Atlântico, numa das newsletters sobre o centenário da Junta Autónoma para as Obras do Porto do Funchal, JAOP:

Momentos depois, vencida a ponta do Garajão, as casas e as quintas do Funchal, iluminadas por um esplêndido sol de outono, que dourava as extensas plantações de cana, saudaram-nos por sua vez. A magia do espectáculo emudecera-nos. De um lado o mar, do outro as serras, e entre estas duas grandezas majestosas, a cidade sorrindo, como a criança adormecida entre os pais, que a defendem e acalentam. Dentro em pouco pousávamos pé em terra.

Não é grata a impressão recebida ao desembarcar. Costumados aos extensos e alvejantes areais das nossas praias tão ricas de formosíssimas conchas e em cujas penhas se formam aquários naturais, onde aos raios do Sol as actínias matizadas escondem os seus braços gelatinosos e as algas crescem em delicadíssimas arborizações, costumados às praias risonhas que  atraem as mulheres e as crianças com o animado e variadíssimo espectáculo que lhes oferecem e os abundantes tesouros de pedrarias que escondem nas suas móveis areias, afecta-nos tristemente o aspecto desta praia negra, formada de calhaus roliços, cor de lousa, sem uma dessas pequenas maravilhas naturais que são o principal atractivo da beira-mar. Esta pedra escura parece conservar ainda evidentes os vestígios do cataclismo vulcânico que a arremessou à superfície das águas. Dir-se-ia que ainda está defumada e quente do fogo do imenso forno em que foi fundida. Ao seu aspecto comprime-se o coração do viajante.”

DINIS, Júlio, 1919, Inéditos e Esparsos, Lisboa, p. 235

Por Rui Lopes

Oficial de Segurança do Porto do Funchal

Seis da manhã. Toca o alarme. No telemóvel 4 chamadas não atendidas e uma mensagem.

A adrenalina dispara.

Numa hora chegada ao Porto Moniz. Nesse tempo pensamento a mil, avaliação e planos sendo construídos...

Uma embarcação na vertical, apenas com um metro fora de água…as embarcações fazem-se para viver na horizontal...

Um homem aproxima-se e pergunta se sou do Seguro, apresento-me e diz-me que é o Mestre da embarcação e que uma onda o enviou contra as pedras...

Avalio o excelente trabalho efetuado de contenção de hidrocarbonetos.

Um homem aproxima-se, é o responsável da estação de Salvamento do Porto Moniz. Explica-me que fizeram a operação com o pessoal da Marinha.

Chega o Capitão do Porto e o Sub - Chefe da Polícia Marítima. Analisamos a folha de tempo, definimos os objetivos, traçamos o plano.

É convocada a equipa de intervenção da APRAM para melhorar a prevenção contra a poluição.

Apresenta-se o responsável da Brigada de Poluição do departamento Marítimo da Madeira, que em conjunto com a estação de Salvamento fez um trabalho brilhante durante a noite, em condições de elevadíssimo risco.

Fazemos a avaliação, no momento, e em conjunto implementamos ligeiros ajustes, reforçando a proteção.

Chega a equipa APRAM. Dou as primeiras instruções e a ação deles é exatamente como se estivessem a ler os meus pensamentos. O brilhantismo de pessoas bem treinadas.

Ao representante do seguro são transmitidas as instruções e tudo é colocado á disposição.

As equipas de mergulho, o compressor, os bombeiros, a grua, a equipa de remoção de hidrocarbonetos...

Pelas 16 horas a embarcação flutua! Sucesso!!! Não aumentou o derrame, a embarcação manteve-se inteira, não há danos pessoais.

Às 19 horas chega a única grua com capacidade para efetuar o trabalho e que estava numa obra no Porto Moniz. Às vezes temos sorte... O trabalho é feito à noite com aumento de risco, mas com uma presença de bombeiros de São Vicente e Porto Moniz, superiormente dirigidos, tecnicamente perfeitos e bem equipados.

É discutida a capacidade da grua. São usadas cintas da APRAM. Sabemos que estamos a trabalhar no limite do risco e que o resultado é incerto.

A Polícia Marítima estabelece o perímetro, porque se constata que o nível de consciência dos espontâneos é o mesmo seja no canhão da Nazaré seja no Porto Moniz.

A operação começa.

O limite de carga da grua apita.

Esgota-se a água, os mergulhadores tapam os buracos na embarcação.

Continua a esgotar-se a água.

Inicia-se a trasfega de hidrocarbonetos.

A articulação entre todas as equipas é perfeita.

A embarcação vai subindo.

Com a perda da impulsão (ai Arquimedes!!!) o alarme volta a tocar. Estávamos nos limites...

Retira-se o resto dos pesos. A operação recomeça sem alarmes...

Evacuam-se todas as viaturas e pessoas não essenciais...

 O nível de alerta aumenta, passa da meia noite...

O alto risco da operação leva a que a embarcação tenha de ficar paralela à grua. Qualquer erro pode ser fatal...

O manobrador da grua, qual mestre pintor, movimenta a embarcação com a suavidade de uma pincelada...

A coordenação em terra de quem segura os cabos guia impede o contacto das 40 toneladas da embarcação com a grua, passando a distâncias inferiores a 10 cm...

As cintas aguentam, a grua também...a embarcação chega á vertical da sua posição...são colocados os picadeiros... lentamente descarrega-se o peso da embarcação sobre os picadeiros...a estrutura vetusta da embarcação suporta...os picadeiros também... não há derrames, não há acidentes pessoais...o sucesso é total...

Foi um privilégio ser parte desta equipa de 45 homens.

Foi um privilégio perceber que na parte mais remota de uma pequena Ilha, graças ao empenho e profissionalismo de todos, foi possível alcançar um resultado brilhante no mais curto espaço de tempo - Entre o sinistro e a recuperação passaram 30 horas.

A embarcação chama-se Ilha do Sol...que bela analogia para a esperança na Recuperação da Madeira no pós-Covid, e da forma como é possível alcançá-la. "

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